Conto: A voz do Bardo

Conto: A voz do Bardo

Conto: A voz do Bardo

Conto: A voz do Bardo

Salve aventureiros.

Neste post trago um pequeno conto para inspirar mestres e jogadores.

A voz do Bardo

Eu disse para ele correr, mas o infeliz não me ouviu.

Afinal, quem dá ouvidos à um bardo velho hoje em dia?

Não correu e morreu!

Heroicamente, é claro. Como todo guerreiro quer morrer.

Mas eu o avisei para correr.

 

Eu ouvi o chão.

Com meus ouvidos beijando a poeira da terra.

Senti a vibração do exército inimigo se aproximando, como notas musicais.

Já sabia do massacre que aconteceria ali. E o avisei para correr.

O jovem riu na minha cara. E mandou que eu assistisse a luta. Para que ao final da contenda, eu berrasse seu nome nas estalagens locais.

 

Tolo!

 

Fiz questão de me aproximar do corpo enquanto ele ainda agonizava.

(Depois que tudo já estava mais calmo é claro.)

 

“Por que não correu, rapaz?”

 

“Porque sou um guerreiro!”, ele disse com a boca transbordando sangue.

 

“E eu sou um bardo!

Um contador de histórias.

Um menestrel.

Eu vivi e vivo o que sai das minhas canções.

E minhas canções sempre falam de campos como estes, cheios de sangue, corpos e nomes que serão esquecidos, assim como o seu.

Já vi muitos de vocês perecendo por pura ignorância. Que vocês costumam chamar de honra, coragem ou sei lá o quê!”

 

Ele geme de dor, tentando retirar a espada que lhe cravaram no peito. Mas não tinha forças para isso.

Eu visualizo aquela imagem, guardando cada detalhe na mente para que aquele momento se transforme em versos em qualquer taberna barata.

 

Vasculhei minha bolsa até encontrar uma flauta, de onde começo tirar alguns acordes.

E enquanto fazia isso, o moribundo à minha frente encheu-se de esperança.

Ele queria uma salvação. Algo que eu não podia dar. Sou um Bardo! Não um clérigo.

 

“Tens ai uma poção? Algo para me curar? É isso que procura em sua bolsa, ‘contador de histórias’?”

 

“Infelizmente não, bravo jovem…” – os olhos do guerreiro transbordam lágrimas.

“Sua alma já está iniciando a dança com a morte…

E eu não posso deixar isso acontecer sem uma bela melodia”

 

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Rafael Alves

Jogador/Mestre/escritor de RPG. Co-fundador da Associação Cultural Ethernalys.

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