Duhan-Castil: O Tomo de Kradór (Sétima Parte)

Duhan-Castil: O Tomo de Kradór (Sétima Parte)

Duhan-Castil: O Tomo de Kradór (Sétima Parte)

Duhan-Castil: O Tomo de Kradór (Sétima Parte)

Na sétima parte de O tomo de Kradór percebemos que os momentos de calmaria servem para que os personagens se conheçam e criem afinidade. Muitas coisas também são reveladas sobre a busca do tomo.

Esse conto é sobre a busca de um tomo sagrado que foi perdido durante a batalha pela tomada da montanha de Duhan-Castil. Porém, no desenrolar da história, é mostrado outros aspectos como as galerias do reino, as classes e clãs que ali vivem e etc. 
É importante que o leitor conheça todo material sobre Duhan-Castil que está postado no blog moostache.com.br.
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(…)

 

Caminhamos por aproximadamente duas horas e decidimos parar para comer algo. Encontramos uma gruta com teto alto e uma mina d’agua que escorria de uma das paredes. Sentamos em algumas rochas e tiramos os alimentos das mochilas.
Tarmaruk não trouxera nada além de seu cantil e tivemos que dividir a comida com ele. A halfling não gostou nada da ideia.

Eu abençoei nosso alimento e então almoçamos. Nossas tochas estavam dispostas em três pontos da gruta formando um triângulo. Tínhamos boa iluminação, comida e agua. Estávamos confortáveis. Porém, não seguros. Mal acabamos de comer e ouvimos sons estranhos vindo de um túnel a nossa frente. Tarmaruk logo ficou de pé empunhando seu machado. Deu três passos à frente se posicionando entre nós e a entrada. Sua postura de combate era firme e intimidadora. Estávamos diante de um herói, diferente do ser frágil preso nas pedras da agonia que vimos anteriormente.

Olhei para trás e não vi Lins em parte alguma. “Onde ela se meteu? ”. Mas de repente vi um aceno de mão vindo de um nicho em uma das paredes da gruta. A halfling estava oculta nas sombras, uma verdadeira ladina.

O som era crescente, algo vinha em nossa direção. Saquei minha maça e empunhei meu escudo. O que quer que saísse daquele túnel sentiria a fúria de Kradór.

De repente uma horda de goblins saiu pela abertura e veio em nossa direção. Mas antes que nos alcançassem, dois virotes passaram à milímetros de nossas cabeças e atingiram duas criaturas da linha de frente inimiga. Tarmaruk e eu nos olhamos assustados e depois olhamos para trás. Pudemos ver um fino sorriso branco de Lins na escuridão da fenda em que estava escondida. Voltamos aos inimigos à frete e eles avançaram alcançando distancia de combate corpo a corpo.
Tarmaruk desferiu a primeira machadada de baixo para cima, atingindo o goblin arremessando-o no meio dos outros. Logo depois seu machado desceu atingindo mais um inimigo, depois outro e mais outro.
O bárbaro tinha movimentos rápidos e fortes e aos poucos uma pilha de corpos foi formando ao seu redor.

Uma machadinha foi arremessada em minha direção e parou no meu escudo. Com a arma ainda cravada no metal golpeei o primeiro goblin na minha frente. O impacto foi tão forte que pude ouvir os ossos da criatura partirem. Mais machadinhas vinham em minha direção e o escudo me protegeu novamente.

Avancei ficando lado a lado com Tarmaruk. A cada golpe que acertávamos Lins também atirava e derrubava inimigos. Ao perceberem nossa competência os goblins começaram a recuar e fugir até não restar nenhum.
Vencemos facilmente aquela batalha.

Nos reunimos no centro da gruta. Tarmaruk parecia estar muito feliz por ter combatido. Lins não demonstrou muita emoção e vasculhava os corpos, saqueando pertences e pegando de volta seus virotes que ainda estavam bons.

– Esses goblins eram fracos. – Disse o bárbaro.

-Sim. – Respondi. – Mas são os primeiros inimigos de verdade que enfrentamos. Se o que os boatos dizem for verdade, quanto mais descermos, mais perigoso vai ficar.

– Mestre Lurír disse que você sabia o caminho. – Disse a halfling.

– Na verdade eu conheço as histórias. – Respondi. – Nunca passei da prisão de Duhan.

– E o que as histórias dizem? – Quis saber o bárbaro.

– Vamos andando. – Ordenei. – Lhes conto no caminho.

Contrariando talvez a vontade de meus colegas, eu não contei nada a respeito do que havia lido. Nós caminhamos por horas em total silêncio, ouvindo apenas o som de água que escorria de algum lugar. A temperatura daquele complexo de cavernas foi caindo e pude sentir que já era noite.
Quando passamos por um túnel, Tarmaruk encontrou raízes que pendiam do teto baixo.

– O jantar é por minha conta. – Disse ele com empolgação, enquanto arrancava as raízes do teto. Elas pareciam mandiocas, mas tinham um formato mais arredondado. Esperamos ele colher e depois continuamos em silêncio. Lins como sempre ia a frente verificando o ambiente e quando chegávamos a alguma bifurcação ela parava e me olhava. Eu decidia o caminho e então continuávamos.

Quando paramos novamente já era noite. Encontramos outra gruta como a anterior, mas dessa vez vasculhamos ao redor para garantir que não seríamos surpreendidos.
Tarmaruk recolheu algumas pedras pequenas e galhos secos e acendeu uma fogueira. No interior dela colocou as raízes que havia colhido lá atrás.
Coloquei meu escudo e maça no chão e comecei a tirar minha armadura. Tarmaruk se sentou próximo a fogueira, pegou uma pequena pedra de afiar e começou passa-la calmamente na lâmina de seu machado. Lins não se juntou a nós e disse:

– Tem um pequeno lago em uma gruta aqui ao lado. Vou me lavar. – Logo em seguida saiu.

A fogo projetava luzes e sombras nas paredes e teto do local. O clima estava ameno e o ar estava leve, fácil de respirar.

– O que carrega nesse cantil? – Perguntei – Não vi você beber nada dele.

– É Histeria. – Respondeu o bárbaro.

Eu conhecia aquela bebida. Ela é muito usada pelos anões da confraria do machado. Seus efeitos deixam os bárbaros mais letais em combate, porém, com uma forte ressaca quando terminam.

– Você não a usou contra os goblins. – Comentei.

– Não, mestre Môrid. Não precisamos. Isso é para desafios mais ousados.

– Espero que não precise tirar essa rolha. -Sorri.

– Espero precisar. -Ele respondeu sorrindo de volta.

Quase uma hora depois Lins voltou. Seus cabelos estavam molhados e ela usava uma roupa mais leve.

– A água está ótima. Deviam tomar um banho, posso sentir o cheiro de sangue goblin em vocês de longe.

– É… Você tem razão. Vamos Tarmaruk?

– Ficarei aqui, mestre Môrid.

Deixei minhas coisas onde estavam e fui somente com as roupas do corpo. Cheguei na gruta e ela estava iluminada por uma tocha que Lins havia deixado. O pequeno lago era redondo, do tamanho de uma banheira. Um vapor subia da superfície da água indicando que estava morna.
Tirei minhas roupas e deixei em cima de uma pedra. Tirei também o cordão com o símbolo de Kradór de meu pescoço, deixando-o sobre minhas vestes. Entrei na água e procurei relaxar, com isso caí no sono.

Sonhei que caminhávamos por tuneis cobertos de teias de aranha. No final encontramos um salão com um altar de sacrifício. Vi criaturas com olhos amarelados nos espreitando na escuridão.
Acordei assustado, me debatendo na água. O símbolo de Kradór estava brilhando. Aquele sonho não era natural, era uma visão.
A gruta estava bem mais escura pois a tocha, por algum motivo, havia se apagado. Vesti minhas roupas e voltei para perto dos outros.

– Banho de gato? – Perguntou Lins.

– Como assim?

– Hahaha! Ele é um anão, pequena. Não somos tão adeptos a esses costumes. Isso é coisa de elfos. – Disse Tarmaruk enquanto mexia algo na brasa com a adaga que lhe tirara um olho.

Eu estava confuso. Tinha a sensação de ter apagado por horas. As imagens do sonho também não saiam de minha mente. Precisava me concentrar para não assustar meus amigos.
Sorri e tentei desviar o assunto:

– E o jantar, sai ou não sai?

Tarmaruk revirou mais uma vez as brasas e espetou uma das raízes. Colocou-a em cima de uma pedra ao seu lado. Esperou alguns segundos e a cortou. Por fora ela estava queimada e com uma aparência horrível. Mas por dentro era uma massa branca e macia, parecendo o interior de um pão. O cheiro que vinha da raiz era adocicado e nos encheu de fome.

– Está pronto. – Disse o bárbaro. – Vamos comer.

Como já havíamos vasculhado os arredores e sabíamos que estávamos seguro, resolvemos passar a noite ali. Combinamos o revezamento de turnos e dormimos. Eu não tive sonhos e finalmente consegui descansar.

No dia seguinte quando estávamos de pé, comemos as mesmas raízes de café da manhã. Elas não estavam tão saborosas quando na noite anterior, mas nos satisfez.
Pegamos nossas coisas e saímos.

Foram dois dias de caminhada, sempre descendo para o interior da montanha. Nossa rotina era sempre a mesma: Parávamos duas vezes para comer, almoço e janta. E revezávamos nas vigílias noturnas.
Lins parecia mais confiante e mais à vontade conosco. Quando parávamos sempre tinha algum assunto para conversarmos. Numa dessas conversas meus amigos me questionaram sobre o objetivo, caminho e as histórias que eu prometera contar. E então lhes contei na noite do terceiro dia, quando estávamos sentados diante da fogueira.

Os livros e histórias que contam como foi a tomada da montanha, muitas vezes estão repletos de poesia, canções ou outro tipo de recurso para que fiquem “bonitos” aos olhos mundanos. Os bardos são bons no que fazem.

 

Continua…

O Tomo De Kradór Setima Parte

Versão: 05 de outubro, 2017 ▪ Autor: Rafael Alves ▪ Páginas: 11 pág(s) ▪ Downloads: 13

Em momentos de calmaria, verdades são reveladas.

 

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Rafael Alves

Jogador/Mestre/escritor de RPG. Co-fundador da Associação Cultural Ethernalys.

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